sábado, 28 de abril de 2012

Cachoeira caiu na gargalhada ao ver lista com membros de CPI


Um dos interlocutores do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirma que ele caiu na gargalhada ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará no Congresso, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na edição deste sábado da Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Cachoeira, que está preso no prédio da Papuda, em Brasília, teria afirmado estar curioso para saber as perguntas que alguns integrantes, que conhece, farão no dia em que ele for depor na comissão.

A comissão, composta por 16 deputados e 16 senadores, vai investigar as relações do empresário de jogos ilegais com políticos e agentes privados.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Saiba quem assinou e quem não assinou requerimento da CPI Cachoeira

Do Portal G1

A Mesa do Congresso divulgou na tarde desta sexta (20) a lista dos 396 deputados e 72 senadores (veja ao final deste texto) que assinaram o requerimento para criação da CPI mista que investigará as relações com políticos e empresários do bicheiro Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro pela Polícia Federal.

A maioria dos senadores que não assinaram o documento é do PMDB. Além de Sarney, outros quatro peemedebistas não aderiram ao pedido de instalação da comissão - Eunício Oliveira (PMDB-CE), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Clésio Andrade (PMDB-MG) e Lobão Filho (PMDB-MA). O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que assinou o requerimento, disse na semana passada que a CPI não é “prioridade” para o partido.

Investigado por envolvimento com Cachoeira e alvo de processo no Conselho de Ética do Senado, Demóstenes Torres (sem partido-GO) não assinou o documento. Ele já havia dito que não iria aderir por considerar que seria “falso heroísmo”. O senador goiano é suspeito de ter usar mandato para beneficiar o bicheiro. "Eu não faço falso heroísmo. A minha vida toda fui uma pessoa coerente. Assinar [a CPI] teria qual razão? Falso heroísmo?", disse o senador nesta quinta (18).

Em contrapartida, todos os deputados federais suspeitos de envolvimento com o bicheiro assinaram o documento. São eles: Rubens Otoni (PT-GO), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Sandes Junior (PP-GO), Jovair Arantes (PTB-GO), Stepan Nercessian (PPS-RJ) e Protógenes Queiroz (PC do B-SP).

Veja aqui a relação dos deputados e senadores que assinaram e dos que não assinaram o requerimento de criação da CPI.

domingo, 22 de abril de 2012

2ª Marcha contra corrupção de Joinville reuniu centenas de pessoas


Do Portal A Notícia

Pessoas das mais diferentes idades e estilos se reuniram na tarde de hoje, em frente ao Fórum de Joinville, com um objetivo em comum: protestar contra corrupção no Brasil.

Segundo a organização, cerca de 500 pessoas participaram da Marcha contra a corrupção e seguiram até o Mercado Público. Eles levantaram três bandeiras: o julgamento do caso do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste ano, o fim do voto secreto no Legislativo e ainda sobre a corrupção dentro das cadeias.

O tema foi levantado após as reportagens da série "Diálogos Proibidos", do jornal A Notícia, que flagrou conversas de presos em chats eletrônicos.

De acordo com um dos organizadores da marcha, o promotor responsável pela pasta da moralidade pública, Affonso Ghizzo Neto, esta mistura de tribos diferentes traz visibilidade à passeata.

— Eles poderiam estar em casa, no feriado, sem fazer nada. Mas resolveram ir às ruas para protestar e pedir o fim da corrupção — disse o promotor.

Esta é a segunda edição da marcha em Joinville. Ela contou com o apoio de instituições como o Corpo de Bombeiros Voluntários, Associação Empresarial de Joinville (Acij), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outros.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ideli navegando no Rio Cachoeira

Chico Caruso, em O Globo

Partidos começam a indicar nomes para CPI; PCdoB indica deputado flagrado em conversa com homem do esquema Cachoeira

Do Blog Reinaldo Azevedo, na vista Veja

O PCdoB indicar o tal Protógenes ou é piada de mau gosto ou é tentativa de desmoralizar a CPI antes mesmo de ela começar. Este senhor é um dos flagrados em conversas incômodas com um dos principais homens do esquema de Carlinhos Cachoeira: Idalberto Matias, o Dadá. O ex-delegado, que só está livre de um processo (por enquanto) porque se tornou deputado (eleito com os votos de Tiririca, o palhaço assumido) em razão das ilegalidades praticadas na Operação Satiagraha, usou os serviços do araponga. Está mais para investigado do que para investigador. Aqui

Congresso Nacional oficializa criação da CPI do Cachoeira


337 dos 513 deputados e 72 dos 81 senadores assinaram o requerimento de criação da CPMI do Cachoeira.

Marcelo Parreira e Nathalia Passarinho, no Portal G1

O primeiro-secretário do Congresso Nacional, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), fez na manhã desta quinta-feira (19) a leitura do requerimento que oficializou a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos, autoridades e empresários.

Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo. Ele é acusado de chefiar um esquema de jogo ilegal em Goiás e de ter montado uma rede de corrupção, infiltrada em governos, que envolveria parlamentares, policiais e empresas.

A sessão do Congresso foi presidida pela deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), que assumiu o posto na ausência do presidente do Senado e do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), internado em São Paulo e de licença médica.

Segundo Rose de Freitas, até a manhã desta quinta eram 337 assinaturas válidas dentre 513 deputados e 72 assinaturas válidas dos 81 senadores. Para a criação de uma CPI mista, são exigidas, no mínimo, 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

Lido o relatório de criação da comissão, os parlamentares terão até a meia-noite para aderir ou retirar a assinatura.

Fica aberto a partir desta quinta um prazo de cinco dias para os partidos indicarem os 15 deputados e 15 senadores que irão compor a comissão, além de outros 30 suplentes.

Rose de Freitas convocou sessão do Congresso para a próxima terça (24), na qual os nomes indicados pelos partidos para integrar a comissão serão encaminhados à mesa diretora do Congresso.
Aqui

Operação 'Lee Oswald' prende prefeito de Presidente Kennedy por desvio de R$ 50 milhões

No Gazeta Online

O prefeito da cidade de Presidente Kennedy, no litoral Sul do Espírito Santo, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (19) acusado de desviar cerca de R$ 50 milhões. A operação, batizada de Lee Oswald, cumpre 79 mandados judiciais, sendo 51 de busca e apreensão, além de 13 mandados de prisões preventivas e 15 de prisões temporárias. Todas as 28 pessoas já foram presas.
A organização seria responsável por fraudes em licitações, superfaturamentos, desvio de verbas, além de pagamentos indevidos em contratos de serviços e compra de materiais no Espírito Santo. Os policiais federais trabalham com apoio da Controladoria Geral da União e do Ministério Público Estadual.
"A quadrilha era formada pela sobrinha do prefeito, que acumulava a chefia de três secretarias municipais, além do Procurador Geral do Município, integrantes da comissão de licitação, empresários e dois policiais militares, sendo um deles o Comandante da Guarda Municipal. Um membro da executiva estadual do partido político do prefeito também participava do esquema criminoso", segundo a Polícia Federal.

Licitações montadas
De acordo com informações da Polícia Federal, a investigação começou há seis meses e descobriu o prefeito de Presidente Kennedy, Reginaldo dos Santo Quinta, seria o líder da quadrilha. A grande quantidade de recursos municipais era desviada para os membros da quadrilha. As licitações eram montadas a partir de editais que restringiam a concorrência e eram direcionadas para grupos econômicos previamente escolhidos, que simulavam legalidade do processo. Foi identificado, até o momento, o desvio de cerca de R$ 50 milhões.

Crimes
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação, peculato, falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, além de crimes específicos previsto na Lei de Licitações (lei 8.666/93).

O nome da operação
Lee Oswald foi considerado responsável pelo assassinato do Presidente norte americano John Kennedy. A ação policial desta quinta-feira (19) possibilita o fim de desvio de recursos públicos na cidade.

O município de Presidente Kennedy
A cidade é a campeã de créditos em royalties do estado, com quase 20% de todo o valor recebido pelo Espírito Santo, o que permite que o PIB per capita alcance padrões superiores aos de países desenvolvidos. Entretanto, o município é o lanterna do ranking educacional no estado e apresenta o 4º pior índice de desenvolvimento humano entre as cidades capixabas, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PUND.

NO CIRCO LIBANÊS, Lula e Sarney tentam dar as cartas na CPI que será criada nesta quinta; Dilma continua a ser tratada como coadjuvante

NO CIRCO LI8BANÊS - Garibaldi, Raupp, Alves, Lula e Temer: em reunião em hospital, preocupação com direcionamento que a oposição pretende dar à CPMI de Carlinhos Cachoeira
NO CIRCO LI8BANÊS - Garibaldi, Raupp, Alves, Lula e Temer: em reunião em hospital, preocupação com direcionamento que a oposição pretende dar à CPMI de Carlinhos Cachoeira
Cristiane Jungblut, no Globo
A mais de mil quilômetros de Brasília, a dupla formada pelo ex-presidente Lula e pelo presidente do Senado, José Sarney, está orientando a estratégia da CPI Mista do Cachoeira - que será criada nesta quinta-feira no Congresso, em sessão marcada para às 10h30m, pela vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES). Nesta quarta-feira, Lula e Sarney, em tratamento no Sírio-Libanês, receberam mais um grupo de políticos do PMDB. O mesmo Lula que incentivou a criação da CPI, a despeito dos alertas do próprio PMDB e de setores do PT, deu uma ordem expressa: os dois maiores partidos da base devem se unir e usar a maioria para blindar o governo Dilma Roussef e não deixar que a CPI respingue no Planalto.

Estiveram nesta quarta-feira com Lula e Sarney no hospital o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o ministro da Previdência, Garibaldi Alves. Na segunda-feira, Lula e Sarney — que já anunciou uma licença médica de 15 dias — receberam os líderes no Senado do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PTB, Gim Argelo (DF), e o do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), além do ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Segundo relato de um dos participantes da reunião desta quarta-feira, Lula, ao discutir a estratégia, mostrou preocupação com o direcionamento que a oposição pretende dar, priorizando as investigações na empreiteira Delta e no ex-ministro José Dirceu. Pediu que PT e PMDB usem a maioria para tratorar e impedir a aprovação de “requerimentos inconvenientes”.

— Temos que usar a maioria para evitar o que for inconveniente. Vocês têm que unir os partidos aliados, colocar gente de confiança nos postos-chave, e não podem deixar que a CPI desvie do foco e contamine a área do governo — orientou Lula, conforme relatou ao GLOBO um dos interlocutores da dupla.

OBS: Manchete tirada do Blog do Reinaldo Azevedo

terça-feira, 17 de abril de 2012

Oposição faz ato de apoio a CPI no Congresso


Marcelo Pereira, no Portal G1

Deputados e senadores da oposição ao governo fizeram uma ato simbólico na tarde desta terça-feira (17) de apoio à CPI mista que vai investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e empresários. Representantes de PSDB, PPS e DEM se reuniram na Câmara dos Deputados para assinar o requerimento de criação da comissão.

Segundo o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), 12 senadores da oposição já assinaram o requerimento. Ele disse que Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que costuma votar contra o governo, também assinou e deve assumir uma das vagas de suplente da CPI.

Mais cedo, o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), anunciou que 28 senadores aliados ao governo já haviam assinado o requerimento. Para criar a comissão, é preciso o apoio de 27 senadores. Confirmadas as assinaturas, já haveria apoio mais que suficiente do Senado para instalar a comissão. Na Câmara, são necessárias outras 171 assinaturas.

Na Câmara, a oposição conta que todos os seus deputados apoiem a comissão. De acordo com os líderes, não assinaram ainda apenas os parlamentares que não chegaram a Brasília.

O PSDB já tem mais de 30 assinaturas, mas o líder do partido, Bruno Araújo (PE), garantiu que os 52 parlamentares da bancada em atividade – um está de licença médica – assinarão o documento até as 18h desta terça. A expectativa é que o requerimento seja protocolado em seguida, e a comissão instalada esta semana.

No DEM, já são 23 das 27 assinaturas da bancada. O PPS, com onze deputados, apoiou integralmente o requerimento, e garantiu uma das vagas entre os titulares da comissão. Ela será ocupada pelo líder do partido na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR). A suplência ficará com Sarney Filho, do PV, com quem o PPS forma um bloco.

Pressão
"Este ato é mais um motivo para pressionar a base governista para que cumpra o seu compromisso, porque também é importante salientar que existe da parte do governo setores que não querem a instalação desta CPI", afirmou o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP).

Nesta terça, a ministra das Relações Institucionais negou "recuo" do Planalto quanto à instalação da CPI.

 Para Dias, o governo poderia demonstrar o interesse nas investigações dando à oposição a presidência ou a relatoria da CPI. "O governo daria um sinal de que não deseja abafar a CPI se nos permitisse compartilhar o comando da comissão. Sempre foi uma tradição histórica do Congresso Nacional a divisão de responsabilidade", afirmou o senador.

Segundo ele, a negativa do governo em aceitar que a oposição ocupe um dos postos de relevância dentro da comissão indica que a investigação pode acabar politizada e direcionada. Em entrevistas recentes, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), já havia negado este interesse, e afirmado que "não há assunto proibido na CPI".

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Organização protocola pedido de impeachment contra governador do DF


Camila Campanerut, no UOL Notícias

Integrantes da organização “Adote um Distrital”, que integra o Comitê Ficha Limpa do Distrito Federal, protocolaram na tarde desta segunda-feira (16) um pedido de impeachment contra o governador petista Agnelo Queiroz.

O pedido tem como base as citações sobre Agnelo e seus secretários em gravações registradas pela Polícia Federal em escutas telefônicas realizadas na Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira e desarticulou um esquema de jogos ilegais em Goiás e no DF.

O pedido foi entregue à Procuradoria da Câmara Legislativa do DF pelo presidente da Casa, deputado Patrício (PT). A Procuradoria tem prazo de cinco dias úteis para dar seu parecer e encaminhá-lo a Patrício. A decisão será monocrática, ou seja, só cabe ao presidente da Casa decidir se o pedido impeachment será aceito ou não.

No ano passado, dois outros requerimentos semelhantes foram feitos por DEM e PSDB, por acusações contra Agnelo de envolvimento em irregularidades no período em que trabalhou na Anvisa e no Ministério do Esporte. Na ocasião, os pedidos foram rejeitados por falta de provas do envolvimento do governador nos casos.

O porta-voz do governo, Ugo Braga, disse que a iniciativa é “golpismo barato, de um pequeno grupo reunido em uma ONG que, em outubro passado, estava acompanhado pelo senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO)” para a mesma finalidade.

Amanhã (17), o PSOL do DF anunciou que irá protocolar uma petição na Câmara Legislativa cobrando a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as acusações contra Agnelo e seus secretários.

Dilma reclama e PT agora tenta pisar no freio da CPI


Diógenes, em O Globo

Insatisfeita com as declarações do presidente do PT, Rui Falcão, que chegou a defender uma mobilização em torno da criação da CPI do Carlinhos Cachoeira, a presidente Dilma Rousseff queixou-se com ministros e petistas. Diante da reação de Dilma, que conversou até com o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva sobre o assunto, num encontro sexta-feira, o partido já começa a mudar de estratégia. O líder do Senado, Walter Pinheiro, que chegou a defender a CPI, agora admite mudar de posição, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) envie os autos da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética da casa. Ele reconhece, no entanto, ser difícil reverter a situação, porque "podem dizer que é golpe". Falcão, em vídeo, disse que a CPI do Cachoeira ajudaria a neutralizar o desgaste com julgamento do escândalo do mensalão no STF. Petistas ligados a Dilma criticaram ainda o partido por ter seguido orientação de Lula, que defende a CPI como forma de investigar o governo tucano de Marconi Perillo (GO). Gravações da PF mostram que Idalberto Matias, o Dadá, braço-direito de Cachoeira, trabalhava como segurança na Delta Construções, usada como sede de encontros da quadrilha. A empreiteira abasteceu o esquema de Cachoeira através de empresas de fachada, segundo a PF

PT recua e fala em "rediscutir" CPI

Dilma se queixa do ritmo com que presidente do partido defendeu criação da comissão

Fernanda Krakovics

A presidente Dilma Rousseff não está satisfeita com o presidente do PT, Rui Falcão, por causa da atropelada criação da CPI do Cachoeira. Dilma se queixou com ministros e petistas de que Falcão não podia ter saído atirando - e defendendo a criação da CPI - sem consultá-la antes. Agora, o partido tenta puxar o freio de mão. Com o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), internado desde sábado com insuficiência coronariana, se as assinaturas forem coletadas a tempo, caberá à vice-presidente Marta Suplicy (PT-SP) instalar a comissão na terça-feira. A preocupação de Dilma com o anunciado descontrole da CPI foi tema da conversa, na sexta-feira, entre ela e o ex-presidente Lula, um dos entusiastas da investigação parlamentar sobre os negócios e relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), já admite até abortar a CPI, se o Supremo Tribunal Federal (STF) concordar em enviar os autos das operações Monte Carlo e Las Vegas, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética do Senado. Mas ele reconhece que, politicamente, é muito difícil reverter a criação da CPI a esta altura dos acontecimentos. O senador José Pimentel (PT-CE), como membro do Conselho, requereu novamente os documentos, alegando jurisprudência do caso do ex-senador Luiz Octávio (PMDB-PA), quando o Supremo enviara o inquérito solicitado pelo Senado.

- Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe - disse Pinheiro.

Dilma ficou especialmente irritada com o vídeo em que o presidente do PT, Rui Falcão, diz que a CPI ajudaria a desviar o foco e neutralizar o desgaste do julgamento do mensalão no STF, que deve começar em maio. Para Dilma, há o risco de a CPI ser um tiro no pé e paralisar o governo. Governadores e governistas também temem que as investigações virem uma bola de neve e desnudem as relações da Delta Construções com governos de todos os partidos.
Petistas criticam intervenção de Lula

Petistas mais moderados criticam a direção do partido por ter atendido, sem discussão, o desejo do ex-presidente Lula, que vibrou quando integrantes do governo do tucano Marconi Perillo (GO) apareceram nas investigações da Polícia Federal. O ex-presidente não perdoa o tucano por ele ter afirmado, durante o escândalo do mensalão, que Lula tinha conhecimento do esquema. Rui Falcão chegou a defender, em vídeo, que a CPI fosse usada para investigar o que chamou de "farsa do mensalão", que, segundo ele, teria sido montada pelo grupo que circula em torno de Cachoeira.

Depois que forem coletadas as assinaturas necessárias - 171 na Câmara e 27 no Senado -, Marta Suplicy terá que ler o requerimento em plenário, para que a CPI seja criada.

No balanço dos eventuais estragos decorrentes da CPI, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), aposta que a oposição tem mais a perder do que o governo e a base aliada:

- Tem coisas graves que precisam ser investigadas. Não é CPI contra o governo. As denúncias batem pesado na oposição, inclusive em pessoas que se portavam como paladinos da moralidade. Se aparecer qualquer irregularidade no governo, a providência é mandar apurar. Se tiver que romper contratos (com a Delta), rompe. O objetivo é apurar a infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, e pega mais gente da oposição do que do governo.

Além de Perillo, as investigações da PF também envolvem o governo petista de Agnelo Queiroz (DF). A ala mais moderada do PT é contra lavar as mãos em relação à administração do Distrito Federal e refuta o argumento de que Agnelo é recém-chegado no partido.

- É um governo do PT. Não dá para contabilizar como governo nosso só quando interessa - diz uma liderança petista.

Ex-líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é contra e não quis assinar a CPI:

- Acho que era preciso aguardar um pouco. Acho uma temeridade abrir uma metralhadora giratória agora que vai perturbar tudo. Há um ambiente de preocupação. Quem tem experiência de CPI sabe que pode ser um instrumento de perturbação para o governo.

A mesma cautela é adotada pelo atual líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).

- Eu, Eduardo Braga, pessoalmente sempre acho que CPI, a gente sabe como começa, mas não sabe como termina - diz Braga, estranhando não ter tido nenhuma orientação do Planalto para interferir na instalação da CPI.

sábado, 14 de abril de 2012

Collor e Renan Calheiros vão integrar CPI do Cachoeira

O Globo

Passados 21 anos de seu impeachment na CPI do PC Farias, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) se sentará agora na cadeira dos juízes na CPI Mista que o Congresso instala nos próximos dias para apurar as relações do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira com o mundo político em Brasília. Collor foi indicado na vaga do PTB pelo líder do partido, Gim Argello (DF). E estará acompanhado de caciques do PMDB, como o conterrâneo Renan Calheiros (AL), que renunciou à presidência do Senado para escapar da cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar, em 2007. Renan ainda quer levar Romero Jucá (RR) para a CPI.

Nas duas vagas de titular, vou indicar o Vicentinho Alves pelo PR e o senhor Fernando Afonso pelo PTB. Quando eu o convidei, Collor respondeu: “Estou pronto. É missão!” - confirmou Gim Argello, às gargalhadas, quando questionado se a ideia então era barbarizar a CPI.

O líder petebista argumentou que o Collor de 21 anos atrás não existe mais. Que o Collor de hoje, eleito pelo povo de Alagoas, faz um “mandato brilhante” e “é exemplar” como presidente da Comissão de Relações Exteriores.

Em 1992, após 85 dias de investigações sobre desvio de milhões do chamado esquema de PC Farias - testa de ferro de Collor -, o então presidente da República foi incriminado pela CPI e logo depois afastado pelo impeachment. O processo foi para o Supremo Tribunal Federal (STF) e arquivado por falta de provas.

- O Collor já conhece uma CPI por dentro e por fora. Ele foi vítima de uma CPI, então sua ida agora para a CPI do Cachoeira pode ser muito bom. Ele vai para ajudar, é um homem muito experiente. Hoje, é um outro Collor. Vai para ajudar e apurar o que precisar ser apurado - afirmou Gim Argello. aqui