quarta-feira, 20 de julho de 2011

Festival de Dança começa com manifestação contra Prefeitura


Pela primeira vez, Festival de Dança de Joinville começa com manifestação contra Prefeitura - Foto: Paulo Caetano

Jacson Almeida, no Gazeta de Joinville

O 29º Festival de Dança de Joinville começa diferente este ano. Servidores públicos do município vão protestar contra a Prefeitura e o prefeito Carlito Merss (PT) na frente do Centreventos Cau Hansen, nesta quarta-feira (20), às 18h30, antes da abertura do evento.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Joinville (Sinsej), Ulrich Beathalter, o objetivo é dialogar com a sociedade. “Não vai ter carro de som, nem gritos. Apenas entregar panfletos e mostrar cartazes”.

A categoria, que ainda se encontra em estado de greve, diz que o acordo que deu fim à greve em 17 de junho não está sendo cumprido. Conforme o sindicato, a Prefeitura atrasou em 10 dias o pagamento dos grevistas e cortou dois dias do vale-alimentação. O acordo determinava que os descontos seriam a partir de setembro.

A escolha do local para manifestar, segundo Ulrich, é porque o festival é um evento de grande importância e terá grande público.

Greve
Os servidores de Joinville ficaram em greve por 40 dias, mas não conseguiram um acordo que fosse bom à categoria. Enquanto reivindicavam pelo menos a inflação de 6,5% na data base (maio), a Prefeitura ofertou 8% – 2% em outubro, 2% em novembro e 4% em janeiro de 2012.

Projetos bizarros

Agora é a vez do  vereador João Rinaldi (PT).
Ele quer que seja aplicado multa, a donos de imóveis onde forem encontrados a larva do mosquito da dengue.
É ou não é um "projeto" e tanto. Mas agora mudou. Será "apenas" para os reincidentes.
Seguindo nessa linha, não seria viável também, que se aplicasse outra multa caso a pessoa ficasse doente?
E se vier a óbito então,  por causa da doença. Perde a casa.
Lastimável.

Enviado por: Paulo Curvello
curvell@terra.com.br

Economia da Câmara causa polêmica entre vereadores


O valor total a ser repassado pela Câmara, de R$ 1.725.045,15, relativo a economia feita, irá para áreas, que segundo a Casa de Leis, foram escolhidas através de análise e pesquisas com o foco  naquilo que a população mais tem cobrado. A saúde será contemplada com R$ 805.676,22, que serão repassados ao convênio CIS/AMUNESC, para a realização de exames e cirurgias de baixado, média e alta complexidade.
Já para a infraestrutura, serão R$ 719 mil que cobriram os custos da passarela sobre o rio Cachoeira, que interligará as Avenidas Beira Rio e Hermann August Lepper.

Porque Pirabeiraba?
Os R$ 200 mil restantes também são questionados por Mauricio Peixer.  O valor será aplicado em parcela única no hospital Bethesda, em Pirabeiraba, reduto eleitoral de Odir Nunes. De acordo com a Câmara, o valor será usado para auxiliar na construção e aquisição de equipamentos para o Centro Cirúrgico. “Esses repasses foram uma decisão unilateral do presidente da Câmara. Ele não discutiu com os demais vereadores sobre o destino desse dinheiro. Nem mesmo o Conselho Municipal de Saúde, que sabe com exatidão as carências na área, foi consultado. Não que aquela região não mereça, mas, porque Pirabeiraba?”, indaga Peixer.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Dona da Magazine Luiza é cotada por Dilma para ministério

O nome da empresária Luiza Trajano, proprietária da rede de lojas Magazine Luiza, é cogitado pela presidente Dilma Rousseff para assumir a futura Secretaria da Micro e Pequena Empresa, informa reportagem de Valdo Cruz, publicada na Folha desta terça-feira.

O nome de Trajano foi citado pela própria presidente após solenidade recente no Planalto, na qual a empresária esteve presente.
Carlos Cecconello - 13.ago.2010/Folhapress
Luiza Helena Trajano, presidente do grupo Magazine Luiza, em seu escritório em São Paulo
Luiza Helena Trajano, presidente do grupo Magazine Luiza, em seu escritório em São Paulo
Em conversa com assessores, Dilma comentou que ela seria "um bom nome" para o futuro ministério, que, além de micro e pequena empresas, deve cuidar do setor da economia solidária.

Ligada diretamente à Presidência da República, a secretaria tem status de ministério e sua criação ainda depende de aprovação de projeto de lei encaminhado ao Congresso em março.

sábado, 16 de julho de 2011

Senadores dispensam carro oficial e recorrem a táxi e veículo próprio

Do G1  

Senado vai gastar R$ 6 milhões ao ano com aluguel de nova frota. 
Senador Eduardo Suplicy dirige Kadet 1998; José Pimentel vai de táxi.

O Senado publicou edital nesta semana anunciando licitação para escolher a empresa que passará a alugar veículos para uso dos senadores ao custo de R$ 5,9 milhões ao ano. Segundo dados da Casa, cada um dos 81 veículos custará aos cofres do Senado R$ 6,1 mil mensais. O objetivo é se desfazer da frota de carros oficiais que é antiga. Segundo o primeiro-secretário da Casa, Cícero Lucena (PSDB-CE), a venda representará uma economia já que a Casa deixará de cobrir os custos de manutenção dos automóveis.

No entanto, o G1 encontrou exemplos dentro do próprio Senado de que o carro oficial poderia deixar de ser utilizado sem causar prejuízo à atividade parlamentar.

Além do já falecido senador e ex-presidente da República Itamar Franco (PPS-MG), que costumava utilizar o próprio carro para ir ao Senado – um modelo antigo do Honda Civic dirigido pelo motorista da Casa –, os senadores petistas Eduardo Suplicy (PT) e José Pimentel (CE) também dispensaram o benefício.
Ponto de Taxi do Senado (Foto: Robson Bonin) 
Ponto de Taxi do Senado (Foto: Robson Bonin)
Sem carro próprio em Brasília, Pimentel é cliente fiel dos taxistas que trabalham no ponto da chapelaria do Congresso. Avesso ao uso de veículos oficiais desde os tempos de ministro da Previdência, ele surpreendeu um motorista dos quadros da pasta certa vez, quando entrou no surrado Fiat Uno e pediu para que ele o levasse até o ministério.

“A nossa agenda em Brasília envolve trabalho dentro do Senado, nas comissões permanentes, audiências nos ministérios e eventos promovidos por entidades. Esse deslocamento pode ser feito perfeitamente de táxi. Entendo que esses recursos, se forem investidos na aquisição de ambulâncias e transporte escolar, têm mais alcance social do que ficando para atender mandato de senador", avalia Pimentel.

Kadet 1998
Um dos mais antigos parlamentares em atividade na Casa, Suplicy conta que abriu mão do carro logo que chegou ao Senado, em 1991. Ele dirige até hoje o próprio veículo para ir ao Congresso. Suplicy tem um Kadet ano 1998, duas portas, compartilhado com assessores na rotina de compromissos em Brasília.

“Quando chego em Brasília, um dos meus assessores pega o Kadet e vai me buscar no aeroporto.”

“Inúmeras vezes já dei carona para senadores, pessoas do PT. Para a Marta[Suplicy, senadora e ex-mulher dele], certa vez, já como senadora, voltando de um ministério em que estávamos diversos senadores, uma vez ela voltou comigo do ministério para o Senado”, relata Suplicy.

Quando precisa ir a algum evento oficial e o local não conta com estacionamento, Suplicy leva junto um assessor, que o deixa na entrada do local.

“Se preciso ir a alguma cerimônia onde é difícil estacionar, alguém me leva e traz o carro.”

O único problema em guiar o carro, para Suplicy, é o que ele classifica de “excesso de radares de velocidade” nas ruas da capital federal.

“O pessoal que trabalha comigo fica meio bravo porque, como aqui em Brasília tem muito radar, essa semana recebi uma multa de trânsito por estar a 68 quilômetros de velocidade, só oito quilômetros a mais, então recebi uma multa. Então, aqui em Brasília, de vez em quando ocorre uma multa de trânsito por causa de tanto radar.”

Frota antiga
Carro da frota antiga do Senado (Foto: Robson Bonin) 
Carro da frota antiga do Senado.
(Foto: Robson Bonin)
Segundo o primeiro-secretário do Senado, Cícero Lucena (PSDB-CE), a troca de frota vai representar economia significativa de recursos, já que a Casa gasta cerca de R$ 17 milhões por ano para manter a frota, que já tem oito anos de uso.

"Os carros estão consumindo mais combustível, estão gastando mais peças, estão tendo custo elevado de mão de obra para a manutenção”, justificou Lucena.
Cada veículo de parlamentar está avaliado, em média, entre R$ 14 mil e R$ 15 mil. O primeiro-secretário disse que vai fazer um levantamento de todos os gastos com transportes na Casa.

"Feito esse diagnóstico, o que pode ser feito para torná-lo mais eficiente num menor custo. Aquisição, locação? Vamos dimensionar para tomar a decisão."
 
Os novos carros
Segundo edital publicado pelo Senado, os 81 veículos que serão alugados pela Casa serão utilizados no “transporte dos senadores da República no desempenho de suas funções constitucionais, dentro do espaço de atuação do Distrito Federal”.

Os novos carros terão de responder a uma série de especificações: “veículo sedan, cor preta, zero quilômetro, potência mínima (ABNT) de 140 CV, cilindrada mínima 2.0, quatro portas, direção hidráulica ou elétrica, ar-condicionado, vidros com acionamento elétrico nas quatro portas, travas elétricas nas quatro portas, airbag duplo frontal e lateral, sistema de freios a disco nas quatro rodas, ABS e EBD nas quatro rodas”.

Os carros também terão de ser equipados com “película anti-vandalismo nos vidros laterais e traseiro com transparência mínima prevista em lei, bancos com revestimento em couro, encosto de cabeça em todos os bancos dianteiros e traseiros com regulagem de altura, áudio CP Player com tomada auxiliar-in compatível com IPod, IPhone, CD-RW, MP3, WMA e AAC”.

Segundo o edital, as especificações “são compatíveis com a grande maioria dos veículos da categoria sedan médio ou superior, existentes no mercado”.

Senadores gastam 19,4 milhões com verba indenizatória no 1º semestre

Do G1

Em cinco meses de trabalho neste ano, 76 dos 81 senadores da República acumularam um gasto de R$ 19,4 milhões da verba indenizatória, que é a cota mensal disponível a cada parlamentar para o custeio de atividades relacionadas ao mandato.

Levantamento feito pelo G1 mostra que, de fevereiro a junho deste ano, os senadores empregaram, em média, R$ 3,8 milhões por mês para pagar uma lista de despesas que inclui gastos com telefonia, alimentação, divulgação da atividade parlamentar e deslocamento.

Em média, o custo mensal do mandato desses senadores chegou a R$ 51 mil. Os dados foram obtidos por meio do Portal da Transparência, no site oficial do Senado, e se referem ao período de fevereiro, início da atual legislatura, até o mês junho.

A reportagem considerou apenas os senadores que estão no exercício do mandato desde fevereiro, quando os parlamentares da atual legislatura tomaram posse.

Ficaram de fora da pesquisa a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o senador Sérgio Souza (PMDB-PR), que a substituiu; Marisa Serrano (PSDB-MS) – que assumiu uma vaga no Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e seu suplente Antonio Russo (PR-MS); o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), que deixou o cargo no Executivo há duas semanas e seu suplente João Pedro (PT-AM); Reditário Cassol (PP-RO), que assumiu a vaga do filho Ivo Cassol (PP-RO) na última quarta (13), e o ex-senador Itamar Franco (PPS-MG), morto no início de julho, que teve a vaga ocupada por Zezé Perrella (PDT-MG). Veja a lista com a relaçao dos gastos de cada senador aqui

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Marcelinho Carioca pede ao TSE mandato de Chalita

Na Folha

Marcelinho Carioca pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o deputado federal Gabriel Chalita --que deixou o PSB para se filiar ao PMDB em maio-- perca seu mandato por infidelidade partidária. O ex-jogador de futebol é suplente de deputado federal do PSB em São Paulo. Ele é o segundo suplente do partido que pede o mandato de Chalita.

Na petição, o suplente acusa Chalita de se desfiliar do PSB sem apresentar justa causa. Marcelinho Carioca pede a perda do mandato de Chalita para que a Câmara dos Deputados dê posse a ele como suplente imediato filiado ao PSB.
Chalita foi eleito em 2010 por coligação formada pelo PSB e PSL, e que no dia 31 de maio de 2011 comunicou sua desfiliação do PSB e filiou-se ao PMDB. Para o suplente, a mudança ocorreu "de forma totalmente imotivada, não estando inserida em nenhuma das hipóteses de justa causa elencadas [na lei eleitoral]".

Marcelinho Carioca recebeu 62.399 votos de eleitores de São Paulo e ficou listado como segundo suplente do PSB.

A lei eleitoral dispõe que o parlamentar precisa apresentar justa causa para mudar de partido pelo qual foi eleito. A resolução estabelece que existe justa causa para a troca partidária nos casos de incorporação ou fusão de partido; criação de novo partido; mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário ou grave discriminação pessoal.

A coluna "Painel" da Folha antecipou nesta semana articulações no PSB para recuperar a cadeira de Chalita para o partido. Uma delas é que por força de acordo com Michel Temer, o presidente do PSB, Eduardo Campos, não se mexeu, mas o dirigente paulista, Márcio França, estaria empenhado em tomar o mandato do Chalita.

França, no entanto, nega que tenha oferecido cargos a Marcelinho Carioca para estimulá-lo a reivindicar o mandato de Chalita.

2º PEDIDO
Ontem, a presidente em exercício do TSE, ministra Nancy Andrighi, negou pedido de liminar em que Marco Aurélio Ubiali, primeiro suplente de deputado federal pelo PSB de São Paulo, solicita a decretação da perda de mandato de Chalita por infidelidade partidária.

Na liminar, Ubiali pedia ainda a sua posse na Câmara no lugar do parlamentar. O suplente também acusava Chalita de se desfiliar do PSB sem apresentar a justa causa exigida pela Justiça Eleitoral.

Em sua decisão, a ministra informa que, em casos envolvendo suposta infidelidade partidária, ninguém pode perder parcela de seu mandato sem o devido processo legal, sob pena de grave violação aos princípios constitucionais da soberania popular e do sistema proporcional.

"Em outras palavras, levando-se em conta as garantias do contraditório e da ampla defesa, incumbe ao autor comprovar a desfiliação sem justa causa e ao réu demonstrar o fato justificador de sua desfiliação, sendo que, ao final, somente ao final, o Poder Judiciário decretará ou não a perda de cargo eletivo por infidelidade partidária."

Teta$

Fruet deixa PSDB e busca sigla para disputar em 2012

Lúcio Tavora/FolhaDo Josias de Souza

Em qualquer roda de politicos é muito fácil identificar um tucano: é o que está falando bem de si mesmo.

Tão bem que, por vezes, não vê o mal do PSDB. Em verdade, dois males: excesso de cabeças e carência de miolos.

Nesta quarta (13), em meio à cegueira coletiva, deixa o ninho o ex-deputado Gustavo Fruet.

Dá adeus ao PSDB num instante em que figura nas pesquisas como favorito à corrida municipal de 2012.

Decidido a disputar a prefeitura de Curitiba, Fruet foi bloqueado na legenda pelo governador tucano do Paraná, Beto Richa.

Por quê? Richa prefere apoiar a reeleição do atual prefeito da capital paranaense, Luciano Ducci, do PSB.

Fruet aparece num Ibope de maio com 34% das intenções de voto –onze pontos a mais do que os 23% atribuídos a Ducci.

A despeito disso, sob inação do PSDB federal, Richa prefere conspirar a favor de Ducci, o candidato do governista PSB.

Evidência de que o tamanho do cérebro não se mede pelo bico.

Fazem fila à porta de Fruet: PDT, PSD, PV, PPS, DEM e um pedaço do PMDB. Até o PT flerta com a ideia de apoiá-lo num eventual segundo turno.

Por que o brasileiro não se indigna e não vai à praça protestar contra a corrupção?

Do Blog Reinaldo Azevedo

Juan Arias, correspondente do jornal espanhol El País no Brasil, escreveu no dia 7 um artigo indagando onde estão os indignados do Brasil. Por que não ocupam as praças para protestar contra a corrupção e os desmandos? Não saberiam os brasileiros reagir à hipocrisia e à falta de ética dos políticos? Será mesmo este um país cujo povo tem uma índole de tal sorte pacífica que se contentaria com tão pouco? Publiquei, posts abaixo, a íntegra de seu texto. Afirmei que ensaiaria uma resposta, até porque a indagação de Arias, um excelente jornalista, é procedente e toca, entendo, numa questão essencial dos dias que correm. A resposta não é simples nem linear. Há vários fatores distintos que se conjugam. Vamos lá. 

Povo privatizado
O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan, porque foi privatizado pelo PT. Note que recorro àquele expediente detestável de pôr aspas na palavra “povo” para indicar que o sentido não é bem o usual, o corriqueiro, aquele de dicionário. Até porque este escriba não acredita no “povo” como ente de valor abstrato, que se materializa na massa na rua. Eu acredito em “povos” dentro de um povo, em correntes de opinião, em militância, em grupos organizados — e pouco importa se o que os mobiliza é o Facebook, o Twitter, o megafone ou o sino de uma igreja. Não existe movimento popular espontâneo. Essa é uma das tolices da esquerda de matriz anarquista, que o bolchevismo e o fascismo se encarregaram de desmoralizar a seu tempo. O “povo na rua” será sempre o “povo na rua mobilizado por alguém”. Numa anotação à margem: é isso o que me faz ver com reserva crítica — o que não quer dizer necessariamente “desagrado” — a dita “Primavera Árabe”. Alguém convoca os “povos”.

No Brasil, as esquerdas, os petistas em particular, desde a redemocratização, têm uma espécie de monopólio da praça. Disse Castro Alves: “A praça é do povo como o céu é do condor”. Disse Caetano Veloso: “A praça é do povo como o céu é do avião” (era um otimista; acreditava na modernização do Bananão). Disse Lula: “A praça é do povo como o povo é do PT”. Sim, responderei ao longo do texto por que os não-petistas não vão às ruas quase nunca. Um minutinho. Seguindo.

O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan Arias, porque o PT compra, por exemplo, o MST com o dinheiro que repassa a suas entidades não exatamente para fazer reforma agrária, mas para manter ativo o próprio aparelho político — às vezes crítico ao governo, mas sempre unido numa disputa eleitoral. Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, ministro da Educação e candidato in pectore do Apedeuta à Prefeitura de São Paulo, estarão neste 13 de julho no 52º Congresso da UNE. Os míticos estudantes não estão nas ruas porque empenhados em seus protestos a favor. Você tem ciência, meu caro Juan, de algum outro país do mundo em que se fazem protestos a favor do governo? Talvez na Espanha fascista que seus pais conheceram, felizmente vencida pela democracia. Certamente na Cuba comuno-fascistóide dos irmãos Castro e na tirania síria. E no Brasil. Por quê?
Porque a UNE é hoje uma repartição pública alimentada com milhões de reais pelo lulo-petismo. Foi comprada pelo governo por quase R$ 50 milhões. Nesse período, esses patriotas, meu caro Juan, se mobilizaram, por exemplo, contra o “Provão”, depois chamado de Enade, o exame que avalia a qualidade das universidades, mas não moveram um palha contra o esbulho que significa, NA FORMA COMO EXISTE, o ProUni, um programa que já transferiu bilhões às mantenedoras privadas de ensino, sem que exista a exigência da qualidade. Não se esqueça de que a UNE, durante o mensalão, foi uma das entidades que protestaram contra o que a canalha chamou “golpe da mídia”. Vale dizer: a entidade saiu em defesa de Delúbio Soares, de José Dirceu, de Marcos Valério e companhia. Um de seus ex-presidentes e então um dos líderes das manifestações que resultaram na queda de Fernando Collor é hoje senador pelo PT do Rio e defensor estridente dos malfeitos do PT. Apontá-los, segundo o agora conservador Lidbergh Farias, é coisa de conspiração da “elites”. Os antigos caras-pintadas têm hoje é a cara suja; os antigos caras-pintadas se converteram em verdadeiros caras-de-pau.

Centrais sindicais
O que alguns chamam “povo”, Juan, chegaram, sim, a protestar em passado nem tão distante, no governo FHC. Lá estava, por exemplo, a sempre vigilante CUT. Foi à rua contra o Plano Real. E o Plano Real era uma coisa boa. Foi à rua contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. E a Lei de Responsabilidade Fiscal era uma coisa boa. Foi à rua contra as privatizações. E as privatizações eram uma coisa boa.  Saiba, Juan, que o PT votou contra até o Fundef, que era um fundo que destinava mais recursos ao ensino fundamental. E onde estão hoje a CUT e as demais centrais sindicais?
Penduradas no poder. Boa parte dos quadros dos governos Lula e Dilma vem do sindicalismo — inclusive o ministro que é âncora dupla da atual gestão: Paulo Bernardo (Comunicações), casado com Gleisi Hoffmann (Casa Civil). O indecoroso Imposto Sindical, cobrado compulsoriamente dos trabalhadores, sejam sindicalizados ou não, alimenta as entidades sindicais e as centrais, que não são obrigadas a prestar contas dos milhões que recebem por ano. Lula vetou o expediente legal que as obrigava a submeter esses gastos ao Tribunal de Contas da União. Os valentes afirmaram, e o Apedeuta concordou, que isso feria a autonomia das entidades, que não se lembraram, no entanto, de ser autônomas na hora de receber dinheiro de um imposto.
Há um pouco mais, Juan. Nas centrais, especialmente na CUT, os sindicatos dos empregados das estatais têm um peso fundamental, e eles são hoje os donos e gestores dos bilionários fundos de pensão manipulados pelo governo para encabrestar o capital privado ou se associar a ele — sempre depende do grau de rebeldia ou de “bonomia”do empresariado.

O MST, A UNE E OS SINDICATOS NÃO ESTÃO NAS RUAS CONTRA A CORRUPÇÃO, MEU CARO JUAN, PORQUE SÃO SÓCIOS MUITO BEM-REMUNERADOS DESSA CORRUPÇÃO. E fornecem, se necessário, a mão-de-obra para o serviço sujo em favor do governo e do PT. NÃO SE ESQUEÇA DE QUE A CÚPULA DOS ALOPRADOS PERTENCIA TODA ELA À CUT. Não se esqueça de que Delúbio Soares, o próprio, veio da… CUT!

Isso explica tudo? Ou: “Os Valores”
Ainda não!
Ao longo dos quase nove anos de poder petista, Juan, a sociedade brasileira ficou mais fraca, e o estado ficou mais forte; não foi ela que o tornou mais transparente; foi ele que a tornou mais opaca. Em vez de se aperfeiçoarem os mecanismos de controle desse estado, foi esse estado que encabrestou entidades da sociedade civil, engajando-as em sua pauta. Até a antes sempre vigilante Ordem dos Advogados do Brasil flerta freqüentemente com o mau direito — e o STF não menos — em nome do “progresso”. O petismo fez das agências reguladoras meras repartições partidárias, destruindo-lhes o caráter.

Enfraqueceram-se enormemente os fundamentos de uma sociedade aberta, democrática, plural. Em nome da diversidade, da igualdade e do pluralismo, busca-se liquidar o debate. A Marcha para Jesus, citada por você, à diferença do que querem muitos, é uma das poucas expressões do país plural que existe de fato, mas que parece não existir, por exemplo, na imprensa. À diferença do que pretendem muitos, os evangélicos são um fator de progresso do Brasil — se aceitarmos, então, que a diversidade é um valor a ser preservado.

Por que digo isso? Olhe para a sua Espanha, Juan, tão saudavelmente dividida, vá lá, entre “progressistas” e “conservadores” — para usar duas palavras bastante genéricas —, entre aqueles mais à esquerda e aqueles mais à direita, entre os que falam em nome de uma herança socialista e mais intervencionista, e os que se pronunciam em favor do liberalismo e do individualismo. Assim é, você há de convir, em todo o mundo democrático.
Veja que coisa, meu caro: você conhece alguma grande democracia do mundo que, à moda brasileira, só congregue partidos que falam uma linguagem de esquerda? Pouco importa, Juan, se sabem direito o que dizem e são ou não sinceros em sua convicção. O que é relevante é o fato de que, no fim das contas, todos convergem com uma mesma escolha: mais estado e menos indivíduo; mais controle e menos liberdade individual. Como pode, meu caro Juan, o principal partido de oposição no Brasil pensar, no fim das contas, que o problema do PT é de gestão, não de valores? Você consegue se lembrar, insisto, de alguma grande democracia do mundo em que a palavra “direita” virou sinônimo de palavrão? Nem na Espanha que superou décadas de franquismo.

Imprensa
Se você não conhece democracia como a nossa, Juan, sabe que, com as exceções que confirmam a regra, também não há imprensa como a nossa no mundo democrático no que concerne aos valores ideológicos. Vivemos sob uma quase ditadura de opinião. Não que ela deixe de noticiar os desmandos — dois ministros do governo Dilma caíram, é bom deixar claro, porque o jornalismo fez o seu trabalho. Mas lembre-se: nesta parte do texto, trato de valores.

Tome como exemplo o Código Florestal. Um dia você conte em seu jornal que o Brasil tem 851 milhões de hectares. Apenas 27% são ocupados pela agricultura e pela pecuária; 0,2% estão com as cidades e com as obras de infra-estrutura. A agricultura ocupa 59,8 milhões (7% do total); as terras indígenas, 107,6 milhões (12,6%). Que país construiu a agropecuária mais competitiva do mundo e abrigou 200 milhões de pessoas em apenas 27,2% de seu território, incluindo aí todas as obras de infra-estrutura? Tais números, no entanto — do IBGE, do Ibama, do Incra e da Funai — são omitidos dos leitores (e do mundo) em nome da causa!

A crítica na imprensa foi esmagada pelo engajamento; não se formam nem se alimentam valores de contestação ao statu quo — que hoje, ora veja!, é petista. Por quê? Porque a imprensa de viés realmente liberal é minoritária no Brasil. Dá-se enorme visibilidade aos movimentos de esquerdistas, mas se ignoram as manifestações em favor do estado de direito e da legalidade. Curiosamente, somos, sim, um dos países mais desiguais do mundo, que está se tornando especialista em formar líderes que lutam… contra a desigualdade. Entendeu a ironia?

Quem vai à rua?
Ora, Juan, quem vai, então, à rua? Os esquerdistas estão se fartando na lambança do governismo, e aqueles que não comungam de suas idéias e que lastimam a corrupção e os desmandos praticamente inexistem para a opinião pública. Quando se manifestam, são tratados como párias. Ou não é verdade que a imprensa trata com entusiasmo os milhões da parada gay, mas com evidente descaso a marcha dos evangélicos? A simples movimentação de algumas lideranças de um bairro de classe média para discutir a localização de uma estação de metro é tratada por boa parte da imprensa como um movimento contra o… “povo”.

As esquerdas dos chamados movimentos sociais estão, sim, engajadas, mas em defender o governo e seus malfeitos. Afirmam abertamente que tudo não passa de uma conspiração contra os movimentos populares. As esquerdas infiltradas na imprensa demonizam toda e qualquer reação de caráter legalista — ou que não comungue de seus valores ditos “progressistas” — como expressão não de um pensamento diferente, divergente, mas como manifestação de atraso.

Descrevi, meu caro Juan, o que vejo. Isso tem de ser necessariamente assim? Acho que não! A quem cabe, então, organizar a reação contra a passividade e a naturalização do escândalo, na qual se empenha hoje o PT? Essas indagação merecerá resposta num outro texto, que este já vai longe. Fica para depois do meu descanso.

Do seu colega brasileiro Reinaldo Azevedo.

Onde estão os indignados do Brasil? Por que os brasileiros não reagem?

Do Blog Reinaldo Azevedo

No dia 7 de julho, Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País, um dos melhores profissionais estrangeiros que atuam por aqui nessa área, dos mais agudos, escreveu um artigo em que pergunta: “Por qué Brasil no tiene indignados?” 
Arias não dá respostas e faz, de forma direta e indireta, essa e outras boas perguntas, que me disporei a responder mais tarde, naquele texto da madrugada:
- será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética dos políticos?
- será que não se importam com os ladrões e sabotadores que estão nas três esferas de governo?
- será mesmo esse povo naturalmente pacífico, contentando-se com o pouco que tem?;
- por que estudantes e trabalhadores não vão às ruas contra a corrupção?
- que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?
- será que não cabe aos jovens exigirem um país menos corrupto?

Publico o artigo de Arias na íntegra, em espanhol, perfeitamente compreensível. Oferecerei mais tarde ao autor e a muitos outros que se fazem as mesmas perguntas uma tentativa de resposta.

El hecho de que en solo seis meses de gobierno la presidenta Dilma Rousseff haya visto dimitir a dos de sus principales ministros, heredados del gobierno de su antecesor, Lula da Silva (el de la Casa Civil o Presidencia, Antonio Palocci, una especie de primer ministro, y el de Transportes, Alfredo Nascimento) caídos bajo los escombros de la corrupción política, ha hecho preguntarse a los sociólogos por qué en este país, donde la impunidad a los políticos corruptos ha llegado a hacer extensiva la idea de que “todos son unos ladrones” y que “nadie va a la cárcel”, no exista el fenómeno, hoy en voga en todo el mundo, del movimiento de los indignados.

¿Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan? ¿Es que no les importa que los políticos que les representan, en el Gobierno, en el Congreso, en los estados o en los municipios, sean descarados saboteadores del dinero público? Se preguntan no pocos analistas y blogueros políticos.
Ni siquiera los jóvenes, trabajadores o estudiantes han presentado hasta ahora la más mínima reacción ante la corrupción de los que les gobiernan. Curiosamente, la más irritada ante el atraco a las arcas públicas por parte de los políticos, parece ser la primera presidenta mujer, la exguerrillera Dilma Rousseff, que ha demostrado públicamente su disgusto por el “descontrol” en curso en áreas de su gobierno. La mandataria ya ha echado de su gobierno -y se dice que no ha acabado aún la purga- a dos ministros claves, con el agravante de que eran heredados de su sucesor, el popular Lula da Silva, que le había pedido que los mantuviera en su gobierno.
Hoy la prensa alude a que Dilma ha empezado a deshacerse de una cierta “herencia maldita” de hábitos de corrupción del pasado. ¿Y la gente de la calle por qué no le hace eco, resucitando aquí tambiénel movimiento de los indignados? ¿Por qué no se movilizan las redes sociales? Brasil, después de la dictadura militar, se echó a la calle con motivo de la marcha “Directas ya”, para pedir la vuelta a las urnas, símbolo de la democracia. También lo hizo para obligar al expresidente Collor a dejar su cargo ante las acusaciones de corrupción que pesaban sobre él. Pero hoy el paísestá mudo ante la corrupción en curso. Las únicas causas capaces de sacar a la calle hasta dos millones de personas ahora son los homosexuales, los seguidores de las iglesias evangélicas en la fiesta de Jesús y los que piden la liberalización de la marihuana.
¿Será que los jóvenes no tienen motivos para exigir un Brasil no solo cada día más rico (o por lo menos menos pobre), más desarrollado, con mayor fuerza internacional, sino también menos corrupto en sus esferas políticas, más justo, menos desigual, donde un concejal no gane hasta diez veces más que un maestro y un diputado cien veces más, o donde un ciudadano común, después de 30 años de trabajo, se jubile con 650 reales (400 euros), mientras un funcionario público con hasta 30.000 reales (13.000 euros).
Brasil será pronto la sexta mayor potencia económica del mundo, pero de momento sigue a la cola en materia de desigualdad social y defensa de los derechos humanos. Todavía se trata de un país donde no se permite a la mujer de abortar, el paro de las personas de color alcanza un 20% -contra el 6% de los blancos- y la policía es una de las más violentas del mundo.
Hay quién achaca la apatía de los jóvenes al hecho de que una propaganda exitosa les ha convencido de que Brasil es hoy envidiado por medio mundo (y lo es en otros aspectos). O que la salida de la pobreza de 30 millones de personas les ha hecho creer que todo va bien, sin entender que un ciudadano de clase media europea equivale aún hoy a un rico de aquí.
Otros achacan el hecho a que los brasileños son gente pacífica, poco dada a las protestas, a quienes les gusta vivir felices con lo que tienen y que trabajan para vivir, en vez de vivir para trabajar. Todo esto es también cierto, pero no explica aún por qué, en un mundo globalizado, donde se conoce al instante todo lo que ocurre en el planeta, empezando por los movimientos de protesta de millones de jóvenes que piden democracia o le acusan de estar degenerada, los brasileños no luchen para que el país, además de ser más rico, también sea más justo, menos corrupto, más igualitario y menos violento a todos los niveles. Así es el Brasil que los honestos sueñan dejar para sus hijos, un país donde la gente todavía no ha perdido el gusto de disfrutar de lo poco o mucho que tiene y que sería aún mejor si surgiera un movimiento de indignados, capaz de limpiarlo de las escorias de corrupción que golpean a todas las esferas del poder.